Semana do Orgulho LGBT: 50 anos de resistência em cenário atual de perda de direitos

5:35:00 PM



Nesta semana do Orgulho LGBT, o Brasil e o mundo debatem direitos, conquistas e discutem como a população LGBT pode vencer preconceito, ódio e governos de ultradireita. Por isso, durante estes dias – e todos os outros do ano – a cidadania e o respeito são pautas essenciais não só da comunidade, mas sim de todos que defendem a equidade social, econômica e política de todas as pessoas.
Em São Paulo, uma das capitais referência do país durante esta semana, debates, paradas e marchas marcam os próximos quatro dias. Com eventos que celebram a diversidade, a resistência e o orgulho LGBT, São Paulo terá uma série de eventos que trazem à tona o debate sobre o combate à LGBTIfobia. A programação tem início nesta quinta-feira (20) e encerra no domingo (23).
Eventos como a Feira Cultural LGBT, a Marcha do Orgulho Trans, Caminhada das Mulheres Lésbicas e Bissexuais e a Parada do Orgulho LGBT, que contará com o Bloco Lula Livre, fazem parte da programação.

50 anos de Stonewall

A Secretária Nacional LGBT do PTJanaína Oliveira, explicou que neste ano a semana do Orgulho LGBT tem uma simbologia ainda mais especial porque neste mês completa-se 50 anos da Revolta de Stonewall. “Esse movimento fez nos organizarmos em várias vertentes, tivemos a revista O Lampião da Esquina que foi a primeira a falar sobre nós LGBTs, mas que tinha maior ênfase nos gays, aí então surgiu o jornal Xana Com Xana que trazia o debate das mulheres lésbicas”.
O jornal Xana Com Xana e a revista O Lampião da Esquina surgiram como veículos da imprensa alternativa durante a década de 1970 no Brasil, durante a Ditadura Militar, ambos questionavam a sociedade e reivindicavam os direitos da população LGBT.

Balanço de 2019

Questionada sobre a atual situação da população LGBTI no país, Janaína lamenta a retirada de direitos promovida pelo desgoverno de Jair Bolsonaro (PSL), mas destaca algumas vitórias que serão incluídas nas comemorações da Semana do Orgulho LGBT, como a decisão do o Supremo Tribunal Federal (STF) de equivaler LGBTIfobia a crime de racismo.
Apesar da vitória, Janaína explicou que existe o perigo de extinção do Conselho Nacional de Combate à Discriminação LGBT. “A Câmara voltou a questionar asresoluções do Conselho, como a que estabelece o uso do nome social, que muitas universidades usaram como base, por isso também essa semana é importante porque vamos fazer esse debate na Câmara”.
O Conselho Nacional de Combate à Discriminação LGBT é um órgão colegiado, faz parte da Secretaria deDireitos Humanos da Presidência da República, e atualmente corre o risco de sofrer desmontes pela Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos,Damares Alves, que já expôs diversas vezes não se importar com as pautas da população LGBT.

Homenagem ao ex-presidente Lula

Janaína afirmou também que na segunda-feira (24) e na terça-feira (25) serão realizadas atividades em Brasília com homenagens a Lula. “Faremos homenagens a ativistas, imprensa, figuras que atuaram em defesa da luta da população LGBT, inclusive o Lula é um dos homenageados e a sua filha Lurian irá receber a homenagem no nome dele, e no dia seguinte iremos na Câmara debater a memória, verdade e justiça através do nosso olhar”.
A escolha do ex-presidente Lula como uma das pessoas que mais contribuiu para a causa LGBT foi feita através de voto popular.
Em 2003, uma de suas primeiras medidas no governo foi transformar a Secretaria de Direitos Humanos em Ministério, o que colocou os Direitos Humanos no mesmo patamar das outras áreas do Executivo. Isso pôde abrir espaço para a defesa dos direitos dos gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e intersexuais no país.
Outra ação muito importante para a comunidade LGBTI foi a realização da 1ª Conferência Nacional de Políticas Públicas e Direitos Humanos LGBT, em 2008, considerada um marco histórico. Convocada por decreto presidencial, foi a primeira a ouvir em âmbito nacional as demandas da população LGBTI. O encontro mobilizou governos estaduais, Ministério Público, representantes dos poderes legislativo ejudiciário e a sociedade civil organizada.

Revolta de Stonewall

Até o ano de 1962 era crime ser LGBT nos Estados Unidos. Ao longo da década era raro bares e estabelecimentos que recebiam pessoas da comunidade LGBT, mas existia um bar: o Stonewall Inn, que era frequentado por gays, lésbicas, transexuais, bissexuais, travestis e drag queens. Ele frequentemente recebia “batidas policiais” que humilhavam, batiam e prendiam funcionários e clientes, além de fechar o local. Então, em 28 de junho de 1969, a comunidade LGBT cansada desse tratamento se rebelou.
Quando a polícia chegava ao bar as luzes eram acesas, a música desligada e as saídas fechadas, os clientes eram colocados em fila para conferirem seus documentos e separar os que usavam trajes considerados femininos para que policiais mulheres verificassem o gênero. Mas nesse dia os clientes se recusaram a se identificar, foi então que a revolta começou. O primeiro grito de “Poder Gay” veio seguido do coro da canção “We Shall Overcome” (Nós vamos vencer) e logo uma multidão se juntou e resistiu aos abusos da polícia.
A partir daí, ao longo dos dias, multidões cada vez maiores se reuniam durante as noites para resistir contra as leis e a violência LGBTIfóbica do estado americano. Esse movimento deu início a criação de marchas por todo o mundo.
Janaína explicou que “existe uma narrativa de que somente os gays foram atores desse processo, mas na verdade quando fazemos um estudo mais aprofundado vemos que o movimento das travestis e drag queens era o mais forte, e o mais atacado porque usavam vestimentas que não eram permitidas”.

Confira a programação completa da Semana LGBT em São Paulo

20 de junho – Cãominhada da Diversidade, na Praça da República, de 10h às 15h30 – recomendado levar 1kg de alimento
Feira Cultura LGBT, Praça da República, 10h às 22h
Bate-papo sobre literatura LGBT, Praça da República, 10h às 22h
21 de junho – Marcha do Orgulho Trans, Largo do Arouche, 12h às 21h
Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade LGBT, Audio (Av. Francisco Matarazzo, 694), 19h às 20h30
22 de junho – Caminhada das Mulheres Lésbicas e Bissexuais, Masp, 14h às 21h
23 de junho – Parada LGBT,  Avenida Paulista (concentração no vão do MASP), 10h às 18h

Da Redação da Agência PT de Notícias

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